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Não há muitos consumidores, muito menos nutricionistas tradicionais, que acham que a carne vermelha é saudável. É quase como se a vermelhidão em si fosse algum tipo de característica condenatória.
Claro, essa cor vermelha é apenas uma cor moderna em carne e osso, dizendo-nos que o gado é impuro em substância, pensamento e ação, e que é melhor ficarmos longe dela para não sermos condenados pelos puritanos e encontrarmos a nossa cabeça e mãos trancadas em uma daquelas coisas estranhas de madeira.
Mas, claro, não há nada inerentemente errado com carne ou a sua cor vermelha. Um bife “sangrento” está apenas a deixar sair alguma mioglobina, a proteína que “troca” o oxigénio. Quando o oxigénio está presente, a mioglobina fica vermelha, dando à carne sua cor característica. Quando não está presente, a carne parece meio pastosa.
Caso contrário, bife ou carne vermelha em geral não é muito diferente de frango ou porco ou qualquer outra carne (a maioria dos quais tem muito menos mioglobina e é, como tal, “branca”), mas, ao contrário de sua reputação como menos-saudável, pela primeira vez provou-se atravez de um estudo1 de que a carne vermelha pode melhorar os fatores de risco cardiovascular. Isto é uma estreia.
No entanto, há uma ressalva importante. A fim de ter um coração saudável, a carne deve ser magra e não processada (faltando nitratos, esteróides, dedos cortados, etc).
O que é que eles fizeram.
As pessoas estão sempre a chatear-nos com a Dieta Mediterrânea e os médicos bem-intencionados estão dizem sempre aos pacientes para adotá-la enquanto diminuem a ingestão de carne vermelha. Tudo bem, mas os pesquisadores Lauren O’Connor e Wayne Campbell, juntamente com seus colegas, queriam ver se a carne vermelha poderia ser incorporada à dieta mediterrânea sem prejudicar os efeitos positivos da dieta sobre a saúde cardiovascular.
Recrutaram 41 homens e mulheres com sobrepeso ou obesos, com idade entre 30 e 69 anos, e colocaram-nos num dos dois “Padrões de Dieta Mediterrânica” por dois períodos de 5 semanas, separados por 4 semanas de refeições auto-selecionadas.
A dieta “Med-Red” continha 500 gramas de carne bovina ou de porco não processada por semana (que é uma ingestão típica em Portugal) e a dieta “Med-Control” continha 200 gramas de carne bovina ou suína não processada.
Os perfis de macronutrientes de cada intervenção na dieta foram idênticos, com cerca de 22% da energia total proveniente da proteína, cerca de 40% dos hidratos de carbono e cerca de 40% da gordura. E, semelhante aos planos alimentares convencionais da Dieta Mediterrânea, ambas as dietas continham muita gordura monoinsaturada proveniente do azeite, quantidades idênticas de peixe e legumes e o uso opcional do vinho tinto.
O que é que descubriram.
- A dieta com mais quantidade de carne vermelha diminuiu o colesterol total em 3% a mais do que a dieta com menos quantidade de carne vermelha.
- O LDL (o colesterol menos saudável) caiu mais no grupo de carne vermelha alta do que o grupo de carne vermelha mais baixa.
- ApoB (um melhor preditor de risco de doença cardíaca do que o colesterol “bom” ou “mau”) diminuiu no grupo de carne vermelha alta em 6%, mas não mudou em nada no grupo de carne vermelha mais baixa.
- Colesterol HDL, proteína C-reativa, triglicéridos, glicose e insulina não mudaram com a dieta.
Os pesquisadores concluíram o seguinte:
[bs-quote quote=”Os adultos com sobrepeso ou moderadamente obesos podem melhorar vários fatores de risco para doenças cardiometabólicas adotando um padrão de alimentação no estilo mediterrâneo, com ou sem restrições na ingestão de carne vermelha, quando as carnes vermelhas são magras e não processadas.” style=”style-8″ align=”center”][/bs-quote]
Como podes usar esta informação
A maior parte da má reputação da carne vermelha vem do modo como a carne é processada ou do modo como ela é cozida. Vê desta assim: Comerias um pêssego se estivesse marmorizado com gordura e contivesse nitratos, sulfitos, antibióticos e esteróides? Provavelmente não, ainda que a maioria das pessoas rasgue avidamente um pedaço de carne vermelha que contenha algum ou todo este lixo.
Porém, pese embora a maior parte desse material químico hazmattish e carne vermelha pode ser facilmente parte de uma dieta saudável. E enquanto alguns dos produtos químicos encontrados em carnes processadas, além do modo como muitos de nós preparamos bifes, podem ter mais chances de causar cancro do que doenças cardíacas, comprar carnes vermelhas limpas em geral é uma boa ideia.
Ainda assim, o estudo levanta uma questão: seguir uma dieta de estilo mediterrâneo é necessária para negar as alegadas desvantagens da carne vermelha? Talvez, mas se és um atleta ou simplemente uma pessoa que leva um ritmo de vida saudável e está a ler este artigo, é provável que já estejas a seguir uma dieta semelhante a uma dieta mediterrânea com muitas frutas, verduras, peixe, grãos e azeite.
Agora podes adicionar carne vermelha limpa à dieta, ou pelo menos, se já estiveres a comer carne vermelha, aproveite-a sem te preocupares. As pessoas no estudo “carnivoraram” cerca de 500 gramas por semana (pouco mais de meio quilo), mas provavelmente não há motivo para não comeres mais sem causar danos, desde que seja magra (menos de 10 gramas de gordura por porção) e não processada.
Bom Apetite.